Local do pátio de visita que funciona como banheiro improvisado e que receberá o banheiro de fato

A partir do mês de julho, os presos da Casa de Custódia de São José dos Pinhais (CCSJP) vão começar a construir doze banheiros para uso interno e de seus familiares nos pátios de sol que recebem as visitas de final de semana. Os recursos foram doados pelo Conselho da Comunidade da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba. O projeto foi aprovado nesta semana pela presidente do órgão, Isabel Kugler Mendes, e visa melhorar as condições de atendimento da unidade para os cerca de 1.020 apenados e provisórios (815 condenados e 304 que aguardam julgamento) e os cerca de 1.700 familiares (1.500 adultos e 221 crianças) que visitam a unidade regularmente.

De acordo com Lúcio Olider Micheline, diretor da unidade, os banheiros vão facilitar o acesso às necessidades básicas de presos e familiares, diminuir a revista corporal nos dias de visita e a movimentação dos agentes penitenciários, além de garantir que os internos tenham local limpo e arejado para uso próprio enquanto estão nos pátios.

Atualmente, há banheiros apenas dentro da estrutura física da unidade, localizados nas entradas dos corredores que levam até as celas. “Na configuração atual, nós temos problemas com a movimentação. Os familiares que precisam usar o banheiro durante a visita têm que sair dos pátios, o que demanda a presença de um agente penitenciário apenas nessa função. Isso ocasiona novas revistas, demora, impaciência”, pondera.

Os custodiados também passam pelo mesmo constrangimento durante a semana. Eles fazem xixi em um galão de 20 litros improvisado em um dos cantos do pátio. Para fazer cocô, eles precisam pedir para serem retirados do pátio para o interior da unidade.

Essa situação foi constatada na última inspeção do Conselho da Comunidade no local, em meados de abril. Desde então, a CCSJP vinha trabalhando no projeto. O pedido de ajuda partiu do próprio diretor.

Para Isabel Kugler Mendes, presidente do Conselho, a construção dos banheiros visa ofertar o mínimo de dignidade para todo o universo prisional: funcionários, presos e familiares. “Os presídios do Paraná são muito antigos e não foram pensados de maneira totalmente integrada para trabalho, estudo e ressocialização. Ou até mesmo para a ausência do número ideal de funcionários. A partir desse panorama, a construção dos banheiros é fundamental para atender os presos e as visitas. São quase três mil pessoas envolvidas nesse projeto”.

O Conselho da Comunidade entregou para a CCSJP dinheiro para a aquisição de vasos sanitários, descargas, lavatórios, torneiras, portas, tijolos e tubos. As obras ficarão a cargo dos próprios presos.

Configuração da CCSJP com os doze pátios internos de visita
O pinico improvisado durante os pátios de sol dos presos

Doações de junho

Neste mês, o Conselho da Comunidade também ajudou outras cinco unidades do sistema penitenciário da Região Metropolitana de Curitiba: CMP, PEP II, PCE-UP, CPAI e CCC. O órgão ainda entregou material escolar para o CEEBJA (Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos) Dr. Mário Faraco, que cuida da educação de 2,5 mil presos nas 14 unidades da grande Curitiba.

Para o Complexo Médico Penal (CMP), em Pinhais, o Conselho entregou recursos para aquisição de 30 latas de complemento alimentar para os internos em estado terminal do Hospital Penitenciário. Esse é um projeto permanente do Conselho da Comunidade, que recebe a demanda do CMP assim que o carregamento anterior estiver perto do fim.

Além da alimentação, o Conselho pagou exames enema opaco para três presos que precisam realizar decolostomia (cirurgia de restituição do trânsito intestinal). Eles foram feridos por arma de fogo na altura do abdome durante a abordagem policial e o Hospital Penitenciário não tem estrutura para realizar esse tipo de exame. Em função dos traumas, eles fazem, periodicamente, colostomia (abertura cirúrgica do cólon para drenagem fecal do intestino grosso).

O Conselho da Comunidade também entregou tinta para a pintura dos pátios da Casa de Custódia de Curitiba (CCC), três roçadeiras para a Penitenciária Estadual de Piraquara II (PEP II), o que possibilita acesso a trabalho e cuidados gerais para os internos, e peças para arrumar o caminhão e o trator da Colônia Penal Agroindustrial (CPAI), que é uma unidade do regime semiaberto. Os presos da CPAI trabalham soltos no Complexo de Piraquara e o caminhão e o trator são fundamentais para a manutenção da limpeza do local, recolhimento de lixo e transporte de carga.

O Conselho ainda comprou placas de policarbonato para fechar as grades do canteiro da Germer Porcelanas na Penitenciária Central do Estado – Unidade de Progressão (PCE-UP). A empresa foi levada até a unidade modelo pelo órgão. A Germer é uma das maiores empresas de porcelana do país e emprega dez internos na PCE-UP com salário mensal e possibilidade de remição de pena.

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