Dra. Isabel Kugler Mendes em uma das vistorias nas unidades prisionais, quando ela avisa os presos a procurarem o Conselho da Comunidade ao deixarem as celas

Entre 1° e 28 de fevereiro, o Conselho da Comunidade da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba ajudou 14 detentos que estavam presos nos presídios do entorno da capital paranaense a voltar para casa. Eles obtiveram alvará de soltura, livramento condicional ou progrediram de regime para o harmonizado (tornozeleira eletrônica) e não tinham condições financeiras de voltar para a cidade de origem. Onze deles foram para o interior e o litoral do Paraná, de Matinhos e Paranaguá a Mangueirinha e Londrina. Um deles foi para Santa Catarina (Lages), outro para São Paulo (Itararé) e um deles para o Mato Grosso (Rondonópolis).

Os presos sem dinheiro para passagem de ônibus chegam ao Conselho da Comunidade através de orientação da assistência social da Rodoferroviária, das próprias unidades e da Fundação de Ação Social (FAS), se encontrados nas ruas de Curitiba. O órgão também tem uma parceria com o Intervidas, projeto administrado pelo Instituto Pró-Cidadania. Os egressos em condição de vulnerabilidade social são encaminhados ao Conselho.

“Essa é uma das principais demandas do Conselho. Alguns presos saem sem nunca ter trabalhado dentro das unidades e não têm direito nem mesmo ao pecúlio, outros ficaram muito tempo presos e perderam o vínculo familiar local”, explica Isabel Kugler Mendes, presidente do Conselho da Comunidade.

Ao chegarem ao órgão, eles preenchem uma ficha cadastral e assinam o recibo do benefício. O próprio órgão da Execução Penal se encarrega da compra da passagem e de levar o apenado até a rodoviária. Em alguns casos, quando as viagens ocorrem apenas no dia seguinte, o Conselho também ajuda o egresso a passar a noite em um pensionato da capital.

Em janeiro, o Conselho comprou 33 passagens de ônibus para presos de outras cidades. Somente ao Centro de Regime Semiaberto Feminino de Curitiba, o Conselho entregou cerca de R$ 1,7 mil para 15 passagens de ônibus, algumas ao custo unitário de R$ 179. Nesse mesmo mês, o órgão repassou mais de R$ 42 mil para 14 projetos de oito penitenciárias diferentes da RMC.

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