Ônibus do projeto Intervidas e trailler-consultório reforçam atendimento à população de rua. Foto: Cesar Brustolin/SMCS
Foto: Cesar Brustolin/SMCS

O Conselho da Comunidade da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba estabeleceu uma parceria com o programa Intervidas, vinculado à Prefeitura de Curitiba e administrado pelo Instituto Pró-Cidadania, para receber os egressos do sistema penitenciário que estão em situação de rua na capital e providenciar a passagem de ônibus para o retorno ao lugar de origem. O acerto foi oficializado na quarta-feira (8) na sede do Conselho da Comunidade, no Fórum de Execuções Penais.

De quarta-feira (8) a sexta-feira (10), quatro egressos já foram auxiliados. De 9 a 31 de janeiro de 2017, o Conselho ajudou outros 33 egressos do sistema a sair de Curitiba.

O ônibus Intervidas percorre cinco regiões específicas da cidade que concentram número elevado de dependentes químicos, e conta com os serviços de profissionais de assistência social, psicólogos e educadores para aproximar os usuários de ferramentas e serviços públicos. A principal meta do programa é convencer os dependentes a ter acesso a serviços como Centros de Atenção Psicossocial (Caps), unidades de saúde, Centros de Referência da Assistência Social (Cras), Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas) e Centros Pop. Neste ano, o programa será vinculado ao departamento de Defesa Social da Prefeitura de Curitiba.

Das 18h às 22h30, de segunda à sexta, o ônibus estaciona nas praças Ouvidor Pardinho, Rui Barbosa, Santos Andrade, General Osório e no Cavalo Babão do Largo da Ordem. As equipes atendem os usuários que procuram os serviços e também fazem buscas ativas por essas regiões.

O Intervidas foca em minimizar os danos causados pelo uso de substâncias químicas e realiza, em média, de 500 a 600 atendimentos por mês. “Nossa abordagem é totalmente diferenciada. Não perguntamos o nome, não estabelecemos qualquer vínculo cadastral no primeiro momento. A ideia é conquistar o usuário aos poucos, com atividades, com conversas, para que ele passe a acessar os programas da cidade para tratamento da sua dependência”, conta Marco Aurélio Gomes, da equipe do programa. “De uns tempos para cá, temos percebido o aumento do número de egressos do sistema penitenciário nas ruas. E muitos deles não são daqui, querem voltar para casa. Com esse diagnóstico, nós procuramos o Conselho da Comunidade”.

O Conselho se comprometeu a receber os egressos e auxiliar na medida do possível: com passagens de ônibus e também encaminhamentos para programas parceiros do órgão. “Nos comprometemos a receber os egressos que vivem nas ruas. Nas visitas às unidades, informamos os detentos para procurar o Conselho da Comunidade assim que cumprirem a pena. Nós trabalhamos efetivamente para o recomeço, ajudando na medida do possível com um curso, ou o direcionamento para um trabalho. Se eles ficarem nas ruas, isolados, tendem a delinquir novamente”, explica Isabel Kugler Mendes, presidente do Conselho.

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