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Foto: Eriksson Denk

Na semana passada, o Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen) apresentou o mais completo diagnóstico da atividade com dados preocupantes: 69,5% estão muito insatisfeitos com os aparatos de segurança e 54% consideram o ambiente prisional hostil (90,5% encaram como insalubre o seu local de trabalho). Além disso, 79,2% estão insatisfeitos com a forma como a sociedade percebe o trabalho do agente penitenciário.

De acordo com a pesquisa, em relação ao impacto do trabalho na vida pessoal de cada agente, os números também são alarmantes. Em torno de 25% sentem-se ameaçados, 20% estressados, 12% inseguros e 9% veem o trabalho como influência negativa no convívio familiar. Ainda com base nos dados coletados, 66,4% dizem ter algum tipo de doença. Problemas como hipertensão, depressão, ansiedade e insônia afetam 35,1% dos entrevistados. Dos que fazem uso regular de medicamentos, 82,4% afirmam que os tratamentos envolvem doenças de origem psicossocial.

Os dados também mostram o histórico recente de rebeliões no Paraná, que são o extremo da insegurança do agente. Entre 2013 e 2015, foram 28 eventos com 57 agentes penitenciários feito reféns. A média é de nove rebeliões por ano. A maior reviravolta aconteceu em 13 de outubro de 2014, na Penitenciária Industrial de Guarapuava (PIG), com 13 agentes reféns. Também foram oito assassinatos entre 2013 e 2016 – 16 ao longo dos últimos nove anos. Das oito mortes mais recentes, três aconteceram em Curitiba, duas em Londrina, e uma em Cambé, Colombo e Guarapuava.

O Paraná tem 3.413 agentes penitenciários, segundo o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias do Ministério da Justiça (Infopen). Os dados coletados pelo diagnóstico correspondem a 960 questionários aplicados e mostram que 90,6% dos agentes são homens e 9,4% mulheres; 44,3% têm entre 31 e 40 anos, 32,5% entre 41 e 50 anos, 10,2% entre 51 e 60 anos e o restante entre 18 e 31 anos; 70,7% possuem ensino superior (dos quais 16,3% têm pós-graduação); 72,1% são casados e 65% têm um ou dois filhos.

Além disso, a maioria (59,7%) está de 4 a 10 anos no ramo, enquanto 18,4% está entre 11 e 22 anos nas penitenciárias. Os demais estão a mais de 23 anos ou até 4 anos.

Esse trabalho do Sindarspen foi iniciado em outubro de 2015 e teve como base uma avaliação sobre as condições de trabalho e de vida dos agentes penitenciários. Foram aplicados dois métodos. O primeiro utiliza bases de qualidade de vida, indicadores de prazer, avaliação de danos relacionados ao trabalho e saúde do trabalhador. E o segundo utiliza uma escala de vulnerabilidade ao estresse do trabalho.

Foram entrevistados agentes de Cascavel, Cruzeiro do Oeste, Curitiba, Francisco Beltrão, Foz do Iguaçu, Guarapuava, Londrina, Maringá e Ponta Grossa. Essa regionalização engloba 35 unidades prisionais do Paraná, divididas entre penitenciárias, casas de custódia e regime semiaberto.

O estudo também repercute o relatório estatístico da Divisão de Saúde e Medicina Ocupacional do Estado (DIMS), de 2014. Entre as principais causas de afastamento de agentes penitenciários para tratamento médico estão transtornos mentais e comportamentais (31,46%), doenças do sistema osteomuscular (14,86%) e lesões por causas externas (13,08%).

O estudo completo pode ser encontrado aqui.

Foto: Joka Madruga/SINDARSPEN-PR
Foto: Joka Madruga/SINDARSPEN-PR
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